Saraus virtuais

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Em destaque!EntrevistasPedro Cotrim

A internet abre caminho para a reunião de escritores e os encorajam a divulgar os seus escritos, transformando espaços da rede, em verdadeiros saraus virtuais.

A poesia está invadindo a rede e, cada vez mais espaços são criados, para que escritores dos mais variados estilos e idades, se unam para trocar, divulgar, conhecer, popularizar a literatura autoral. A web se consolida como um grande sarau, onde todos são bem-vindos. E nessa onda, Litere-se surge como uma publicação que dialoga justamente com este ecletismo que o ambiente virtual permite e propõe.

Dentre os espaços virtuais, destaca-se as redes sociais, como ferramenta de aproximação de pessoas e, dentro do Facebook, a rede com mais usuários pelo mundo, os grupos de discussões são os pontos de encontro de escritores. E, para conhecer uma pouco mais deste cenário, entrevistamos Liliane Oliveira, macapaense, formada em Letras (Inglês), professora e poeta desde os quinze anos. Liliane foi criadora e administra dois destes grupos de discussões, que conseguem reunir milhares de escritores em torno de um objetivo em comum: compartilhar literatura, o Gritos Poéticos e o Gritos Diversos In(versos).

E agora, Litere-se traz a íntegra desta conversa, na qual, você poderá entender mais um pouco sobre todo este mundo cheio de poesia.

Revista Litere-se: Para começar, o que é poesia para você?

Liliane: Poesia para mim é uma necessidade que eu sinto de colocar os sentimentos no papel, como se fosse um ” grito” que precisa de “eco” para ser ouvido e sentido.

Revista Litere-se: Qual é a sua história com a literatura? Conte quem é você dentro dessa arte?

Liliane: Tudo começou quando eu recebi o convite de um amigo para conhecer o Grupo Pena e Pergaminho do qual faço parte hoje, criei uma página no Facebook para compartilhar meus escritos, eu sou mais uma “curiosa de gaveta” querendo mostrar a minha arte.

Revista Litere-se: Como você avalia a poesia hoje? Em estrutura, em representatividade, em influência e incentivo para os novos escritores?

Liliane: Estamos tendo muito acesso a poesia, principalmente pelas redes sociais, livros, eventos…, os versos livres estão ganhando espaço, textos em prosa se desprendem de métricas e alguns regras que limitam os escritores (principalmente quem está começando) que sentem a necessidade de colocar no papel seus sentimentos sem ter “obstáculos”.

Revista Litere-se: Existe uma regra para se fazer poesia? Um formato? Leio muitos críticos dizendo que a poesia de hoje é pobre, fraca, não respeita a lírica exigida por uma poesia. Você concorda com isso?

Liliane: Não concordo, nenhuma poesia é fraca no meu ponto de vista, e pelo menos arrisco na prosa por gostar mais da liberdade que isso me proporciona, adoro sonetos, mas ainda não estou neste nível (rs), quando existe a necessidade de escrever sobre qualquer coisa, todos somos poetas de alguma forma, quem vive Poesia, quem escreve, quem lê, quem sente, quem chora…

Revista Litere-se: Muito se fala sobre uma crise na poesia, para você, isso realmente acontece?

Liliane: Há falta de valorização da comercialização e divulgação, muita gente não valoriza, tornando um movimento para poucos participantes (existe uma diferença de quem vive de poesia por conhecer os obstáculos de divulgação e reconhecimento do seu trabalho e de quem compra poesia).

Revista Litere-se: Qual a sua opinião sobre essa “invasão poética” nas redes sociais?

Liliane: Eu particularmente gosto muito, acredito que as redes sociais, principalmente o Facebook proporciona um espaço, principalmente para os escritores iniciantes que ainda não tiverem a oportunidade de publicar em livros físicos, utilizam o espaço para divulgar em páginas e grupos.

Revista Litere-se: Para você, qual foi o caminho tomado pela poesia ou, produção poética, ela veio das ruas para a web ou ganhou força virtual e depois, se espalhou por saraus, em todos os cantos?

Liliane: Veio das ruas, das gavetas, dos poemas vendidos nas ruas, ganhando força no mundo virtual.

Revista Litere-se: E os grupos dedicados à poesia, qual o papel deles?

Liliane: Os grupos são muito importantes, uns que preferem divulgar poesia usando somente uma temática, outros com temáticas livres, tendo como objetivo a divulgação da obra do autor.

Revista Litere-se: Pode-se dizer que estes grupos são verdadeiros saraus contemporâneos?

Liliane: Sim, é um espaço que proporciona interação entre os membros, trocas de experiência no mundo da poesia, incentivos, criticas…

Revista Litere-se: Você administra um grupo importante e muito ativo de poesia, além de outros, qual foi a motivação para criar um espaço assim?

Liliane: Partiu da necessidade de divulgar o trabalho de muitos escritores, principalmente o trabalho dos amigos, uns muito tímidos e de pessoas que merecem reconhecimento e não sabiam como divulgar nas redes sociais, eu adoro divulgar o trabalho dos amigos escritores, é gratificante!

Revista Litere-se: Quais são os grupos voltados à poesia, que você administra no Facebook e como o público pode ter acesso a eles?

Liliane: Gritos Poéticos, com cerca de 6,7 mil inscritos e Gritos Diversos In(versos), com mais de quinhentos participantes.

Para fazer parte dos grupos, basta solicitar a entrada e em seguida, a pessoa já terá acesso a todo conteúdo destes grupos.

Revista Litere-se: Dentro dos grupos, existe algum tipo de concorrência ou competição entre poetas ou apenas uma harmonização?

Liliane: Dentro dos grupos sempre encontramos pontos negativos e positivos, existe um lado bom (harmonização) curtir, comentar, compartilhar, mas existe uma briga de egos que me deixa muito triste.

Revista Litere-se: Como é a interação do grupo e seus leitores? Eles realmente leem todas as publicações? Dá tempo para isso?

Liliane: Quando você é administrador de um grupo e tem uma “programação”, isso chama a atenção de leitores, eu percebo principalmente no Gritos Poéticos (grupo fundado por mim em janeiro deste ano) que existe interação entre os escritores, eu sempre dou uma “olhadinha” no grupo mesmo quando estou muito ocupada, gosto de um ambiente harmonioso e com muito respeito, temos leitores e escritores fiéis no grupo.

Revista Litere-se: Para encerrar, na sua opinião, a poesia cumpre algum papel social? Se sim, qual seria?

Liliane: A poesia é tão importante quanto saúde e educação. As palavras ganham forma, espaço, quem escreve precisa ter dentro de si a sensibilidade e responsabilidade de abordar um leitor, fazer com que ele sinta e viva o que está lendo, a poesia tem um papel muito importante nas escolas, principalmente na disciplina de literatura, mas eu sei da dificuldade para inseri- lá no ambiente escolar e principalmente no conteúdo programático.

 

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