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Resenha: Atrás do crime

Há tempos a ficção policial brasileira tem se mostrado um terreno em expansão e que, por isso mesmo, merece ser divulgado aos quatro ventos. A literatura, como um todo, é algo pouco valorizado, infelizmente, em nosso país. Além disso, quando entramos nas grandes livrarias, encontramos na maioria dos casos os grandes medalhões da literatura. Ok. Não há nada de errado em pensarmos que as editoras são empresas e como tal precisam se manter em pé. E isso só é possível se venderem. O problema desse pensamento (que é cíclico) é que, na maioria das vezes, os novos autores não têm espaço, ou mesmo chances, de entrar no mercado editorial.

É importante que os novos autores tenham espaços para mostrar a sua obra e que os leitores possam conhecer material novo e de qualidade. Acredito que aqui é importante falar um pouco da Aberst (Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror), fundada em 2017 por um grupo de escritores e que tinham como objetivo fortalecer e divulgar esses gêneros literários.

E foi por meio dessa parceria que pude conhecer o trabalho da escritora gaúcha Cristiane Krumenauer, autora dos livros Chamas da Noite    (Giostri, 2014), de Memória, Imaginação e Narração (NEA, 2014), da série Contos da Namíbia (2015), de Atrás do Crime (Giostri, 2016) e A Máscara de Flandres (Giostri, 2017).

O livro Atrás do Crime é um bom exemplo de como há uma gama de novos escritores do gênero policial. A trama tem dois protagonistas que se encontram em lados opostos da linha da lei e cujos destinos colidem ao longo da história. De um lado está o Mestre da Logística das Drogas, que a mente responsável por operações de transporte de drogas que abastecem o estado de São Paulo. Do outro está Giorgio, um agente da Polícia Federal, experiente na perseguição e desmantelamento de quadrilhas de tráfico de drogas.

Mas para além dos dois, há uma série de personagens secundários que colorem a trama, tais como um vaidoso delegado da Polícia Federal e a sua esposa infeliz, um agente triste e melancólico, que lamenta o fim de um relacionamento amoroso, uma femme fatale líder de uma organização criminosa. Além disso, há a família dos protagonistas. E este é um ponto importante da história, pois ela não se limita a narrar o embate entre o criminoso e o policial, mas também os efeitos colaterais que são sofridos por quem os rodeia. Desta forma, a autora insere elementos de drama na narrativa, apresentando o lado frágil e humano de todos os personagens.

A história gira em torno da distribuição de drogas para o estado de São Paulo, ávido consumidor de entorpecentes. O trabalho do Mestre da Logística é garantir que a encomenda chegue com segurança. No entanto, a tarefa vai se mostrando cada vez mais complicada, pois um dos chefões da organização estava preso e a sua esposa assume a função na chefia da organização.

Como é muito difundido entre os estudiosos da segurança pública, não há crime organizado sem a conivência do Estado. E é justamente com essa colaboração, mais os milhões de reais pagos em suborno, que a organização mantém o seu funcionamento. Só que desta vez, a Polícia Federal, na figura do orgulhoso Superintendente da Polícia Federal em São Paulo, João Carlos, está comprometida em derrubar tal organização. E, para tanto, o delegado convoca o agente gaúcho Giorgio para se dedicar a tal função, dada a sua experiência e sucessos prévios em casos parecidos.

A partir desse ponto a trama se transforma num frenético jogo de gato e rato, em que os papéis de caça e caçador estão constantemente sendo invertidos. Se é que existem. Giorgio e o delegado João Carlos têm certeza de que alguém de dentro da polícia está vazando informações, só não sabem quem é o traidor. O Mestre da Logística está sempre a um passo a frente dos investigadores, mas a sua vantagem diminui a cada página.

É importante destacar elemento da narrativa da escritora. A narração é feita em terceira pessoa e o foco muda de acordo com os eventos que desencadeiam a história. As opções, em geral, são acertadas, porém em alguns casos, tira o mistério da trama. Outro elemento é a descrição dos estados emocionais dos personagens, que, algumas vezes antecipa a conclusão do leitor. Estes dois pontos por mim destacados, em nada diminuem a qualidade da obra, cuja trama é envolvente, ágil e os personagens são carismáticos.

Então, caro leitor de literatura policial, fica aqui o convite para a degustação dessa bela obra da autora. E que muitas outras venham pela frente.

Para quem quiser conhecer mais sobre a autora, seguem alguns endereços:

 

Facebook: https://www.facebook.com/obrascristianekrumenauer/?ref=profile_intro_card

Compras: https://busca.saraiva.com.br/busca?q=cristiane+krumenauer ou https://lojavirtual.giostrieditora.com.br/index.php?route=product/search&search=cristiane%20krumenauer

 

 

 

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