Relato de um naufrágio

Gabriel Garcia Márquez (1927 – 2014), jornalista e escritor colombiano, é autor de dezenas obras literárias, entre romances e contos. Ganhador do Prêmio Nobel em 1982, é autor dos famosos romances Cem anos de Solidão de1967 e O amor nos tempos do cólera de 1985, bem como patrono da Fundación Gabriel Garcia Márquez para el nuevo periodismo Iberoamericano[1], que desde 1994 existe para estimular e premiar a ética e a boa reportagem no jornalismo iberoamericano.

Entre suas obras encontra-se Relato de um náufrago, de 1955, que inicialmente foi apresentada em fascículos no periódico El Espectador, no qual o autor trabalhava. Foi publicado em livro pela primeira vez em 1970. Deste pequeno relato é que eu gostaria de falar nesta coluna, começando pelo surpeendente subtítulo: “Que esteve à deriva numa balsa salva-vidas por 10 dias sem alimento ou água, foi proclamado um herói nacional, beijado por rainhas de beleza, feito rico com a publicidade, e então rejeitado pelo governo e esquecido para sempre.”

De fato, ao manusear o livro fui ganha para a leitura por este subtítulo, que acaba sendo um grande spoiler. Alguém poderia perguntar: para quer se dar ao trabalho de ler um uma história em que o final é revelado já no início? A isto, eu respondo: para sabr como isso foi possível, ou seja, para conhecer o percurso que posibilitou este desfecho.

Além disto, para aqueles que pensam que os grandes autores da literatura mundial são todos, necessariamente, difíceis de ler, que seria nesta dificuldade que residiria sua qualidade, este é um grande engano que pode ser desfeito pela leitura que agora recomendo. Um texto em estilo jornalístico, claro, que depois de começado nos leva até a última página quase de um fôlego.

Existem, na história da literatura, vários romances que tematizam o naufrágio, de alguma forma. São exemplos disto O Naufrágio (1578), de José Fonseca Mayer, obra portuguesa que aborda o tema do desaparecimento do Rei de Portugal na batalha do Alcácer-Quibir, ficcionalizando sobre um episódio importante da história portuguesa; Robinson Crusoé (1719), de Daniel Defoe, romance inglês no qual um filho rebela-se contra os deígnios do pai, escolhendo a navegação em busca de aventuras e O náufrago (1983), de Thomas Bernhard, romance austríaco, em que o naufrágio em questão é metafórico, ocorrido na vida do famoso pianosta Glen Gould.

Este último romance que mencionei, o primeiro que eu li neste tema, de alguma forma me faz associar naufrágio, mesmo os literais, com a vida, ou seja, viver como navegar, de modo que sempre estejamos sujeitos aos dias de vento forte e sol, portanto, sucesso na navegação, mas também aos momentos de dificuldades no percurso e, eventualmente, o naufrágio.

No romance de Garcia Márquez vejo um pouco disto, poque a partir da narrativa sobre um acidente naval o autor nos oferece um rico percurso, uma janela por onde podemos ter algumas experiências pela história de um outro humano como nós, seguindo seu caminho no mundo, como nós, lidando com a adversidade da vida.

 

 

[1] http://www.fnpi.org/

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