Por trás das grades

by:

Indicação de LivrosLisa Hallowey

ESTACAO_CARANDIRU_1314792005B“O Senhor é meu pastor… 
perdoe o que seu filho fez.
Morreu de bruços no salmo 23,
sem padre, sem repórter.
sem arma, sem socorro.
Vai pegar Hiv na boca do cachorro.
Cadáveres no poço, no pátio interno.
Adolf Hitler sorri no inferno!
O Robocop do governo é frio, não sente pena.
Só ódio e ri como a hiena.
Rátátátá, Fleury e sua gangue
vão nadar numa piscina de sangue.
Mas quem vai acreditar no meu depoimento?
Dia 3 de outubro, diário de um detento.”

 

Casa de Detenção de São Paulo, esse é o cenário do nosso próximo livro. Estação Carandiru (1999) é um best seller, que teve mais de 460 mil exemplares vendidos, e ganhou o Prêmio Jabuti 2000, de Livro do Ano de Não- Ficção. Quem escreveu foi Antônio Drauzio Varella, ou Dr. Drauzio Varella, que é médico oncologista, cientista e escritor.  Você com certeza já viu ele no Fantástico, apresentando seu quadro sobre a área da saúde. Ele já trabalhou na Joven Pan 2 FM, e na 89 FM. Tem também um canal no youtube.

Nesse livro, Drauzio relata seus 10 anos de experiência como médico voluntário na Casa de Detenção, onde realizava atendimento, e dava palestras para os detentos, e explicava sobre a AIDS e sua prevenção. Fala também sobre o rígido código penal, que só quem vive lá dentro conhece, e que se fosse desobedecido, corria o risco de morte.  O livro tem fotos e imagens de vários lugares dentro do presidio. No livro, ele também conta o que ouviu de alguns presos, e o que presenciou no dia 2 de outubro de 1992, antes do fatídico episódio de um dos maiores massacres que houve naquele lugar.

A Casa de Detenção, um dos maiores presídios do Brasil, também conhecida como Carandiru, foi cenário de várias rebeliões, mas nenhuma foi tão cruel como essa. Quem diria que por causa de um desentendimento de duas facções, no Pavilhão 9, pudesse gerar a morte de 111 detentos (só que segundo os presos que sobreviveram, foram muito mais do que isso, fora os feridos que foram levados e nunca mais foram vistos). Mas, quem é que vai acreditar no meu depoimento, dia 3 de outubro, Diário de um Detento – como diz a música dos Racionais Mc’s.

O livro foi adaptado para o cinema, com o nome de Carandiru (2006), e o ator Luiz Carlos Vasconcelos, fez o papel do Dr. Drauzio.

Desativado e parcialmente demolido desde 2002, hoje o Carandiru transformou-se no Parque da Juventude, que é composto por três grandes espaços, e o terceiro é de caráter cultural, onde é localizado a Etec, que oferece vários cursos, e também encontra-se a Biblioteca de São Paulo (que é um luxo).

Se você ficou curioso com essa história, e quer saber como era a vida por trás daquelas grades, e como tudo começou antes do massacre, fica a dica aqui. Até a próxima!

 

Lisa Hallowey

 

 

 

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