O que é cultura no mundo atual?

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Andressa CostaFilosofiaSem categoria

Essa pergunta é importante já que os principais pilares da nossa época são: capitalismo globalizado, individualismo, consumismo e internet. Nesta obra Giles Lipovetsky e Jean Serroy convidam a refletir a esse mundo novo de sistemas e valores.  Um dos pontos mais interessantes é tratado no Capítulo 2: o mundo como imagem e comunicação, neste é abordado as transformações da cultura ao longo dos tempos.

Vivemos hoje em uma sociedade hipermoderna que desafia e modifica toda a era moderna e as raízes da cultura que um dia foi fonte de conhecimentos e valores indispensáveis ao desenvolvimento humano. No contexto atual da sociedade a cultura sofre uma rápida mudança de caráter indentitário, perdeu-se na era da hipermodernidade do mundo globalizado e mercantil.

A cultura que caracteriza a época hipermoderna não é mais o conjunto das normas sociais herdadas do passado e da tradição (a cultura no sentido antropológico), nem mesmo “pequeno mundo” das artes e das letras (a alta cultura); ela se tornou um setor econômico em plena expansão a tal ponto considerável que se chega a falar, não sem razão, de “capitalismo cultural” (LIPOVETSKY e SERROY;2011)

 

A cultura fundiu-se ao mercado de consumo e as nuances do capitalismo, tornando-se o que os autores citados acima chamam de cultura-mundo. Esta segue as normas do capitalismo e seus jogos de marketing, o hipercapitalismo globalizado utiliza-se do que um dia foi a alta cultura das artes para criar um mercado atrativo com a integração das artes no sistema mercantil. Enquanto a cultura penetra no universo comercial a arte também não se opõe mais ao mundo da economia, o que a tempos passados eram setores distintos da sociedade hoje tornam-se membros de um mesmo corpo e espaço.

Podemos dizer que a transformação da cultura parte desde o começo do século XX, neste período as artes modernas  propunham uma cultura nova em essência transformadora  para as artes (música, literatura, pintura, escultura, dança, arquitetura etc), proclamavam que as artes deveriam seguir apenas pela arte, não importavam-se com as regras do mercado comercial e nem com as normas de produção de arte de seus mestres antepassados. Neste período tudo era questionável e o individualismo tornou-se cada vez mais ofensivo, eles queriam criar um homem novo, com perspectivas mais abrangentes no contexto das artes e da cultura. O que transformou as referências  estéticas e a paisagem cultural da modernidade.

Segundo (Lipovetsky e Serroy; 2011), é neste mesmo período que no ocidente começam a surgir as primeiras figuras que a escola de Frankfurt chamará de “industrias culturais”, isto é, obras produzíveis destinadas ao mercado de grande consumo. O que segundo os filósofos alemães Theodor Adorno ( 1903- 1969 ) e Max Horkheimer ( 1895- 1973 ) não passavam de obras inautênticas e padronizadas. O que torna este momento um período ambíguo, pois ao tempo que se pretendia criar uma cultura nova revolucionaria também começaram uma cultura industrial para o grande mercado de consumo. Para os defensores vanguardistas das artes o cinema, a televisão, os discos, os programas de rádio e até redes sociais não podem ser considerados verdadeiras culturas, pois são feitas em grande escala, são clichês, produtos uniformes é uma cultura business, uma indústria, são produções fabris que se baseiam apenas na padronização e na produção em série.

Mas essas mídias são de grande relevância pois tem reflexos sim no indivíduo, a saúde não se conceitua só pela falta de doença, ela é também um estado de espirito e a forma como nos relacionamos com o mundo. Segundo a OMS ( Organização Mundial da Saúde) são 615 milhões de depressivos espalhados pelo mundo e aumentando a cada minuto essa conta, é muita gente com baixa energia. O que cria animosidades e imposibilidades de manter diálogos saudáveis até mesmo no Facebook, lugar onde argumentos contrários se transformam em ofensas e refletem no mundo real. Talvez o facebook seja a vitrine das diversas identidades e diferenças e ao invés de ser usado como exercício para atingir um entendimento dessas questões, ele muitas vezes se torna a fagulha que faltava para atear fogo de vez em Roma, enfraquecendo laços de amizades; amorosos e também fortalece um sistema que se define pelo consumo e acumulação de bens.

Um mundo onde as horas de trabalho são cada vez maiores e se resumem a dar qualidade ao que se produz e não qualidade a vida do indivíduo que produz, provocando sujeitos angustiados e estressados de rolex no pulso e sapatos de salto alto Prada. Engraçado, acho que eu já vi um sistema semelhante me parece que ele se chamava escravidão, mas eles diferem porque em um o indivíduo não queria estar nele no segundo infelizmente esse mesmo sujeito se afunda em areia movediça na busca pelo oásis do ter: um carro melhor, uma roupa que impressione. Não julgo quem não gosta, mas a diferença está entre viver e possui ou viver para possuir.

Dúbio certamnte, mas nós inventamos uma sociedade de consumo e consumista, ela é válida pois a economia precisa crescer, se não cresce é a miséria. A questão é que na compra de algo, não a compramos com dinheiro, isso é um engano. O compramos com tempo de vida que tivemos que gastar para adquirir o dinheiro da compra. E a única coisa que não se compra, só pode se gastar é a vida, então é um absurdo gastar a vida para perder a liberdade. Apropriando-se disso vamos lidar de forma mais amorosa com a nossa economia e mannter uma relação prazeirosa com a cultura. ( José Alberto Mujica Cordano ex- presidente da República Oriental do Uruguai ).

A cultura-mundo veio para derrubar as barreiras entre cultura e economia, não é mais a cultura do passado aquela embebida em tradições tanto das artes quanto das letras. Tornou-se mercantil e apesar dos pontos negativos, tem um muito positivo, virou a cultura para a massa tirando de uma minoria. E o seu ponto mais sombrio é que é devorada com muita facilidade e naturalidade onde uma obra substitui a outra de ontem para hoje, nada perpetua. Esse conceito feito para não durar vai de contar o conceito de cultura, por que ela não se desgasta com o tempo e suas obras são eternas. Por isso como não nos questionar que mundo essa cultura fest food está preparando para o futuro? Já que a identidade se produz na cultura e na linguagem, que tipo de sujeito essa cultura vai parir para as gerações futuras?

Esse cibermundo é um caminho que se bem desbravado, alavanca um crescimento social e como sujeito, a dificuldade está no discernimento em saber exercer essa liberdade sem perder a alma. E só a educação tem a chave para educar esses sujeitos e libertar seus espíritos para que saibam lidar e selecionar o que lhes cabe e o que não nessa enxurrada de informações. O autor culpa as telas dos celulares, televisores e computadores por isso, eu particularmente culpo a roda que desde sua invenção diminuiu o tempo de deslocamento e o desgaste físico e criou o tempo ocioso e foi nesse intervalo que o sujeito homem refletiu e criou uma série de invenções muito úteis é claro, mas que poderiam não existir como a arma de fogo por exemplo. Segundo o autor, as “indústrias culturais” criaram uma figura mágica: a estrela com caches astronomicos e sucessos estrondosos, onde muitas vezes o criador é maior que sua obra. Com isso ainda segundo o autor cria uma queda na cultura no que se refere as humanidades, a literatura; a filosofia diminuindo os debates e o entusiasmo de idéias e de escolas sobre posições e controvérsias do ato de filosofar. Tirando o fascinio de tudo, não fomentando mais grandes figuras carismáticas e extinguindo os mentores, burocratizando a esfera institucional.

Pode até ser assim, mas eu insisto e peço lincença poética para  discordar do autor. Existem sim figuras carismáticas e mentores, como o nosso Papa Franscisco e suas sábias homilias. Isso é um mentor, independente de religião ou credo e não aquele da música nas paradas de sucesso, isso é humanidade e não só uma doação para uma criança desnutrida da África via internet. São os valores que estão um pouco confusos. Mas com todas as difículdades nada melhor que o poeminha do contra de Mário Quintana, uma produção da nossa cultura para nos inspirar : “ Todos estes que aí estão atravancando o meu caminho, eles passarão e eu (ou melhor nós) passarinho”. Hoje nós estamos construindo a cultura do amanhã, que será herdada por nossos filhos e netos, por isso essa leitura e reflexões torna-se releveantes e apropriadas para os tempos atuais.

 

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REFÊRENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LIPOVETSKY, Gilles e SERROY, Jean. A cultura-mundo, respostas a uma sociedade desorientada. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

 

One Reply to “O que é cultura no mundo atual?”

  1. Ana Z. disse:

    amei a materia. site favoritado. parabens pra toda equipe.

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