O Jardim de Bronze: um suspense argentino

Há anos as séries ganham cada vez mais espaço entre os amantes da arte. E é preciso que deixemos de lado o nosso preconceito com o formato para aceitar o fato. Gosto continua sendo algo pessoal, pois há quem goste mais de comédia do que de ação, por exemplo. Mas, independentemente de preferências, a qualidade de algumas produções é altíssima.

Desta vez escolhi uma série para comentar, a argentina O Jardim de Bronze, adaptação do aclamado livro do escritor Gustavo Malajovich – por enquanto, sem tradução no Brasil. Acalmem-se, ela terminou de ser exibida no dia 13 de agosto, pelo canal HBO. Dá para maratonar sem moderação.

Como todas as séries da HBO, a produção não peca em nenhum detalhe. O elenco é formado por atores competentes, o roteiro é adaptado pelo próprio Malajovich e a direção impele o espectador a acompanhar a jornada do protagonista.

A trama gira em torno de Fabián Danubio (Joaquín Furriel) e da sua busca pela filha Moira, de quatro anos, que desapareceu quando saiu com a babá. Mesmo com o empenho dos policiais Blanco (Julieta Zylberberg) e Mondragón (Daniel Fanego), o caso não se resolve.

O sumiço, nunca esclarecido pela polícia, corrói, aos poucos, mas de forma irreversível, a família Danubio, consumindo a sua esposa Lila (Romina Paula). Sem fé na polícia e descrente com a impessoalidade com que as autoridades tratam o seu caso, conta apenas com a ajuda do detetive Dorberti (Luis Luque). Juntos, eles buscam por Moira onde a polícia não enxerga, e encontram pistas que os leva até o cadáver da babá. A partir daí, Fabián, obcecado, mergulha numa busca febril pela filha.

Fabián, ora acompanhado pelo detetive Dorberti, ora contanto com a ajuda da policial Blanco, mergulha na cidade de Buenos Aires. Não aquela cidade turística, mas a cidade real, habitada por cidadãos normais e pelo submundo do crime. A metrópole portenha, uma personagem em si, é retratada em sua imensidão opressora. Para além da cidade, outras paisagens nos levam para as entranhas da Argentina, expondo as suas belezas e a sua loucura. A sensação de pequenez é reforçada pelas (enganosas) imagens abertas.

Outro fator importante para entender a trama e manter o espectador refém da narrativa é o tempo. A trama que se desenrola ao longo de vinte e cinco anos, mantendo o espectador tenso. Muito tenso.

Vocês devem estar se perguntando: e aí, ele acha ou não a filha? Para obter essa resposta, eu sugiro fortemente que vejam a série. Esta é mais uma das produções da HBO Latin America, que, ao longo dos últimos anos, nos presenteou com ótimas séries que exploram as particularidades da nossa região, dando voz a ótimas narrativas.

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Abraços e até o próximo artigo.

 

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