O Horror em Amityville

Quando o termo “inspirado em fatos reais” é usado para falar de uma história sobrenatural, o apelo para que ela seja conhecida parece aumentar.

Estava eu arrumando minhas caixas de livros dias atrás quando me deparei com um livro que eu não via há anos: Amityville, um dos meus tesouros encontrados em sebos da cidade. Claro que, entre uma leitura e outra, reli o livro todo. A releitura é um dos meus vícios, admito. Hoje vamos ver um pouco sobre o tal livro.

O Horror em Amityville conta a história da Família Lutz e dos alegados 28 dias em que ela morou no número 112 da Ocean Avenue em Amityville, Nova York.  A casa foi comprada por um preço muito baixo por causa de um crime brutal que aconteceu 13 meses antes naquele mesmo local e que havia chocado não apenas a vizinhança mas todo o país.

Vamos fazer um pequeno intermezzo para falar do crime. Madrugada do dia 13 de novembro de 1974, entre 2h30m e 3h15m. Ronald DeFeo, na época com 23 anos, usou uma espingarda Marlin 336C, calibre .35, uma das inúmeras armas que a família DeFeo mantinha em casa, para executar os membros de sua família. Ele matou o pai (Ronald DeFeo, 43 anos), a mãe (Louise DeFeo, 42 anos), suas duas irmãs (Dawn 18 anos; Allison, 13 anos) e seus dois irmãos (Marc, 12 anos; John Matthew, 9 anos). O fato de que os tiros iniciais não acordaram os outros moradores da casa e nem os vizinhos sempre foi tema de controvérsia. Alguns acreditaram que ele teria utilizado algum tipo de silenciador na arma. Também cogitou-se a hipótese de que outra pessoa teria participado do crime. Outros viram nisso uma evidência de que algo sobrenatural atuou colaborando nas mortes. O fato é que, depois de tentar enganar as autoridades e colocar a culpa das mortes na máfia, DeFeo acabou caindo em contradição e revelando que ele era o autor das mortes. Em sua defesa alegou que durante várias noites, por volta de 3h, acordava ouvindo vozes que diziam para matar sua família. Acontece que por ser um sociopata, dependente químico, mentiroso compulsivo e ter um histórico de internações e comportamento agressivo, as declarações de DeFeo caíram em descrédito e ele foi julgado pelos assassinatos. O Pedaço de Lixo em questão foi sentenciado a seis penas consecutivas de 25 anos. Ele continua mofando na cadeia e desde então a história que ele conta para os crimes já foi alterada cerca de três vezes. Fim do  intermezzo.

A família Lutz não deu tanta importância ao crime. Afinal, estavam diante de uma verdadeira “pechincha”, um “negócio da china”! Resolveram mandar às favas qualquer caveat emptor  e adquiriram a propriedade. Só que, em pouco tempo, a família se arrependeria da aquisição e da mudança. Tanto os moradores quanto as pessoas que conviviam com a família e que os visitaram na nova casa foram testemunhas (e até vítimas) de ataques de uma força sobrenatural. Presenças eram sentidas, odores, vozes, sons eram ouvidos em quartos onde não havia ninguém.  Por fim a família abandonou a casa às pressas e procurou alguém para relatar os tais acontecimentos.

O livro foi escrito por Jay Anson em 1977 e teoricamente é baseado nos relatos da própria família Lutz. É um livro interessante e, levando em conta que essa seria uma das mais famosas  casas (alegadamente) assombradas do mundo, se não for a mais, é indicado para todos que se interessam pela literatura fantástica. Além dos acontecimentos relatados pela família, algumas informações aparecem aqui e ali no texto indicam que desde sempre aquela região não era um bom local para se fazer uma casa.

Várias acusações de fraude foram dirigidas ao autor e aos Lutz por conta desse livro. Segundo foi dito na época, a história teria surgido unicamente graças a William Weber, ninguém menos do que o advogado de Ronald DeFeo, que convenceu os Lutz a encenarem a farsa, para lucrar com a repercussão paranormal em torno do caso (o filme O Exorcista havia estreado no ano anterior e ainda estava fresco na mente do público norte-americano). Além disso, várias inconsistências  foram detectadas por pessoas que vasculharam as informações contidas no livro com um microscópio, desde equívocos históricos até incongruências sobre datas dos acontecimentos e informações meteorológicas.

Em defesa do livro e da família, até mesmo o casal de investigadores paranormais Warren se pronunciou. Isso mesmo, Edward Warren (1926-2006) e Lorraine Rita Warren (1927), aquele casal do filme Invocação do Mal e da boneca Annabelle. Lorraine disse que os acontecimentos estranhos na casa em Amityville não eram parte de uma bem elaborada farsa. Ela afirmou que realmente havia uma força sobrenatural operando naquele lugar.

Os moradores que ocuparam a casa depois da família Lutz não relataram nenhum tipo de acontecimento sobrenatural ou fato perturbador. Além disso, para tentar despistar a romaria de curiosos e aficionados pelo terror que rotineiramente vão até o local, foram feitas reformas que alteraram a fachada da casa. As famosas janelas que pareciam olhos maldosos foram substituídas por janelas… comuns.

Seja lá como for, até hoje o patriarca Lutz afirma, até hoje, que todos os acontecimentos do livro foram reais. A casa, mesmo disfarçada, continua recebendo visitantes curiosos que ficam olhando do lado de fora e imaginando que forças malignas podem estar lá dentro.

E caso você se interesse em ler, boa leitura e bons calafrios.

 

El-tragico-asesinato-de-los-Defeo

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