O eterno pequeno príncipe

Em 1943, na cidade de Nova Iorque, foi publicado, quase que simultaneamente em francês e inglês, o livro “O pequeno príncipe”, mais renomada obra do piloto e escritor Antoine de Saint-Exupéry. Lá se vão mais de 70 anos. Traduzido para mais de 230 línguas e dialetos, os dados referentes à quantidade de exemplares já vendidos são sempre conflitantes, mas é seguro afirmar que mais de 140 milhões de cópias já foram comercializadas em todo o mundo. Um dos livros mais vendidos e lidos de todos os tempos.

Quando falamos de “O pequeno príncipe”, os textos normalmente começam com essas informações. Elencamos números que, emaranhados, costumam gritar que se trata de um grande sucesso, sem que sequer abordemos o que essa obra tem a nos ensinar. Mas isso não é comum?

“Elas adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, as pessoas grandes jamais se interessam em saber como ele realmente é. Não perguntam nunca: ‘Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que ele coleciona borboletas?’ Mas perguntam: ‘Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?’. Somente assim é que elas julgam conhecê-lo”.

Quando criança, não tive a oportunidade de ler “O pequeno príncipe”. Minha família sempre ajudou muito na iniciação à leitura, havia livros em grande quantidade, mas nunca foram contadores de histórias. Eu lia porque era curioso. Mas lá pelos meus nove ou dez anos, no auge daquela rebeldia pueril, cismava que, com aquela capa toda ilustrada, era um livro para crianças muito pequenas. Eu era inocente, não sabia de nada…

O livro não chega a 100 páginas (e eu volto a falar de números…), mas é uma coleção de metáforas e alegorias que podem ser perfeitamente identificadas no cotidiano. Há quem defenda que “O pequeno príncipe” é uma história infantil, mas há muitos que dizem se tratar de uma coletânea de lições – e tapas na cara – para adultos.

De repente, é uma história para as crianças que vivem – ou viviam – dentro de cada um de nós…

Mas não é fácil definir. É necessário ler essa obra com o coração e a mente abertos. A mente trará reflexões que acompanharão você por toda sua jornada. Quando encontrar dificuldades, lembrará que “é preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”. E o coração, bem… “O essencial é invisível aos olhos, e só se vê bem com o coração”.

Fico muito feliz por ter lido essa obra fantástica em minha adolescência. Há muito de profundo em suas páginas, e analisar o ponto de vista psicológico que Saint-Exupéry inclui em suas linhas me rende divagações até hoje. Aliás, entre todos os números já expostos nesse texto, busco novamente a informação de que esse livro já tem mais de 70 anos desde sua publicação. Ainda atual, ainda influente, ainda impressionante. E assim sempre será. Essa, talvez, seja a definição de obra prima: ela é para sempre. É eterna, e garante a Antoine de Saint-Exupéry a real imortalidade e inegável genialidade, gostem vocês do livro ou não. Se é que dá para não gostar de “O pequeno príncipe”…

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