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Monteiro Lobato – Um dos precursores na literatura infantil

Olá queridos! Hoje venho homenagear Monteiro Lobato, escritor que contribuiu como ninguém para literatura infantil e o público adulto. No dia de seu nascimento, 18 de abril é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil, Lei 10.402/02 de 2012, e, também, o dia da literatura infanto-juvenil.

José Renato Monteiro Lobato foi escritor, editor, tradutor, contista, promotor e ilustrador. Um dos pioneiros em escrever para crianças em nosso país, suas obras remetiam à cultura popular, folclore, identidade do povo, leitura fácil e dinâmica.

“Quero fazer livros para criança morar. Não ler e jogar fora, mas morar como eu morei no Robinson Crusoé” era o desejo de Monteiro Lobato quando começou a escrever livros infantis.

Primeira obra para o público infantil foi: A Menina do Narizinho arrebitado, publicada em 1921. Seus livros infantis eram um misto de realidade, fantasia e incrementado com uma pitada de mitologia. O sucesso do livro foi tanto que deu origem aos personagens da obra: Sítio do Pica-pau Amarelo. São eles: Narizinho, Pedrinho, Emília, Dona Benta, Tia Anastácia, Visconde de Sabugosa, Saci entre outros.

O Sítio do Picapau Amarelo foi adaptado pela primeira vez para a televisão em 1952, na TV Tupi, tendo ficado no ar por 11 anos.  Em 1964, o Sítio ganhou uma versão na TV Cultura e, em 1967, na TV Bandeirantes. Em 1977 A Rede Globo em parceria com a TVE grava episódios da  turma do sítio que volta com força total, em 1984 começam as reprises e novos episódios, em horários diferenciados.  Em 2001 tem início a segunda versão na Rede Globo.  Em 2012 a turma do Sítio do Picapau Amarelo toma forma de desenho animado

 

Biografia de Monteiro Lobato (1882-1948) 66 anos de contribuição para a literatura brasileira.

 

  • Nome – José Renato Monteiro Lobato, nome posteriormente alterado para José Bento Monteiro Lobato.
  • Nascimento:18 de abril de 1882 em Taubaté, São Paulo.
  • Filiação – José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Monteiro Lobato
  • Vida escolar e infância: foi alfabetizado pela mãe, fez o curso secundário em Taubaté, no Instituto de Ciências e Letras de São Paulo. Demostrou gosto pela leitura na infância, lendo todos os livros infantis da biblioteca de seu avô, José Francisco Monteiro, Barão e Visconde de Tremembé.
  • 1904 – Formou-se na Faculdade de Direito no Largo de São Francisco – São Paulo.
  • 1907 – Prestou concurso para Promotoria Pública, assumindo o cargo na cidade de Areias, Vale do Paraíba.
  • 1908- Casou-se com Maria Pureza da Natividade, e com ela teve quatro filhos, Marta (1909), Edgar (1910), Guilherme (1912) e Rute (1916). Mesmo com o cargo de Promotor, escrevia para vários jornais e revistas, e, também fazia desenhos e caricaturas.
  • 1911- Mudou-se para Taubaté e vai morar na fazenda Buquira, que recebeu de herança de seu avó.
  • 1912- Publica o artigo Urupês, quando nasce o personagem Jeca Tatu.
  • 1917- Vende a fazenda, muda-se para Caçapava e cria a revista Paraíba. Muda-se para a São Paulo, passa a colaborador da Revista do Brasil, em seguida a compra e a transforma em editora. Publica o seu primeiro livro Urupês, que vira febre e tem sua edição esgotada. A Revista vira um sucesso. Publica o artigo no Jornal O Estado de São Paulo, intitulado Paranoia ou Mistificação, que critica a exposição de Anita Maffatti, criando uma enorme polêmica durante o movimento modernista. Em sociedade com Octalles Marcondes Ferreira funda a Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato, que vai a falência devido ao racionamento de energia. Vendem tudo, e, com o dinheiro, fundam a companhia Editora Nacional.
  • 1920- Monteiro Lobato, muda-se para o Rio de Janeiro e começa a escrever para crianças. Primeiro livro tem o título de Narizinho Arrebitado. A obra fez tanto sucesso que Monteiro Lobato escreve outros livros em que seus personagens criam vida no famoso Sítio do Picapau Amarelo.
  • 1927- É nomeado e adido do Brasil nos Estados Unidos e lá morou por 3 anos.
  • 1931-Escreveu o livro “Ferro”
  • 1936- Escreveu “O Escândalo do Petróleo” (1936), neste livro escreve sobre a busca de uma indústria petrolífera independente indo contra a política do governo de Getúlio Vargas que o censurou e recolheu os exemplares disponíveis.
  • 1941- Foi preso no Presídio Tiradentes, onde ficou por 6 meses. Saiu da prisão, mas continuou perseguido pela ditadura do Estado Novo. Lobato ainda foi perseguido pela Igreja Católica quando o padre Sales Brasil denunciou o livro “História do Mundo Para as Crianças” como sendo o “comunismo para crianças”.
  • 1947- escreve a história de “Zé Brasil”, panfleto que percorreu o país, acusando o presidente Dutra de implantar no Brasil uma nova ditadura: o “Estado Novíssimo”.

“Monteiro Lobato concedeu uma entrevista à Rádio Record no dia 2 de julho de 1948, dois dias antes de morrer, pobre, doente e desgostoso, aos 66 anos de idade. Como ativista político, pensando no povo e no Brasil, contra a classe dominante, encerrou a entrevista com a frase “O Petróleo é nosso”! Frase repetida em todo o Brasil.

1948 – José Renato Monteiro Lobato morreu no dia 5 de julho de 1948, de problemas cardíacos e torna-se “gás inteligente”, como ele mesmo gostava de dizer sobre sua morte.  Foi um personagem brasileiro tão ilustre e importante o cortejo de seu velório foi acompanhado por milhares de pessoas, entoando o Hino Nacional.

 

Fábulas 1922.

Fábulas são histórias pequenas que divertem, com personagens principais, animais que em diálogos, apresentam características humanas e sempre narram no final a moral da história. No Brasil o mais conhecido fabulista é Monteiro Lobato, que em seu livro Fábulas de 1922 reescreve fábulas de La Fontaine e Esopo, e, também, cria as suas como: “o cavalo e o burro”, “a coruja e a águia”, “o corvo e o pavão”, entre outras. Abaixo temos algumas fábulas recontadas e criadas por Monteiro Lobato.

 

 

  • O macaco e o gato
  • A onça doente
  • O Cavalo e o Burro
  • A Coruja e a Águia
  • O Lobo e o Cordeiro
  • O Corvo e o Pavão
  • A Formiga Má
  • A Garça Velha

 

 

 

 

Obras de Monteiro Lobato para o público Infantil.

 

 

O Saci Pererê: resultado de um inquérito

A Menina do Narizinho Arrebitado

Fábulas

O Marquês de Rabicó

Fábulas de Narizinho

Caçada da Onça

Reinações de Narizinho

O pó de pirlimpimpim

Viagem ao Céu

Alice no País do Espelho

História do Mundo para crianças

Novas Reinações de Narizinho

As caçadas de Pedrinho

Emília no País da Gramática

Geografia de Dona Benta

História das Invenções

O pequeno César

Aritmética da Emília

  1. Quixote das crianças

Memórias de Emília

Histórias de Tia Nastácia

O Poço do Visconde

Serões de Dona Benta

O Minotauro

O Picapau Amarelo

Os Doze Trabalhos de Hércules

 

 

Em 2010, o livro Caçadas de Pedrinho foi acusado de possuir teor racista, em trechos descritos com a personagem Tia Anastácia, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que recomendou que o livro não fosse distribuído pelo governo nas escolas públicas para as bibliotecas de todo o Brasil. Posteriormente, a relatora do caso voltou atrás e decidiu não suspender a distribuição da obra, mas que cada professor, ao trabalhar o livro, orientasse seus alunos de forma contextualizada, sobre o preconceito presente no livro, explicando o período em que o livro foi escrito, fazendo um paralelo com os dias e leis atuais de racismo e proteção ambiental, pois hoje caçar onça é crime ambiental.

Muitos pesquisadores, estudiosos e especialistas falam de seu temperamento difícil, de como era polêmico, possivelmente racista e, acima de tudo nacionalista, contudo não podemos nos esquecer de sua genialidade, talento para escrever para o povo e do legado que deixou para as gerações.

Cabe cada um ler sua obra infanto-juvenil e adulta, interpretar, transcrever para os dias atuais, contestando e refletindo a realidade vivida por Monteiro Lobato no século passado, tirando suas próprias conclusões.

 

 

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