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Mary Shelley

Aproveitando o mês das mulheres, hoje vamos falar um pouco sobre uma grande dama da literatura de ficção científica, a escritora britânica Mary Shelley.

“Frankestein” de nome próprio se tornou sinônimo de, entre outras coisas, algo ou alguém monstruoso. A cultura popular, com o advento do cinema, passou a confundir o criador com a criatura, chamando o monstro de Frankestein simplesmente de Frankestein. Apesar do equívoco comum até hoje, pode-se dizer que também foi graças ao cinema que o nome da criadora desse livro tão influente passou a ser conhecido por aqueles que não tinham contato com a obra escrita. Em 1994 estreava “Frankestein de Mary Shelley”, dirigido e estrelado por Kenneth Branagh (O barão Victor Frankestein) e por Robert de Niro (como a criatura), uma das adaptações cinematográficas mais fiéis ao livro.

Frankestein narra o infortúnio do barão Victor Frankestein, um estudante de ciências naturais empenhado em construir um homem. Acontece que a criatura, ao “nascer”, enche seu criador de horror. O monstro foge e aprende muito sobre a natureza humana através da observação de outras pessoas. Apesar do aspecto grotesco, a criatura é extremamente inteligente e sensível a ponto de sofrer por causa de seu papel marginal na sociedade, execrado por qualquer um que o vejo por causa de sua aparência, e por sua solidão.

A história de Mary Shelley e da criação desta obra, considerada o primeiro livro de ficção cientifica, são por si só bastante singulares.

Mary Shelley, nascida Mary Wollstonecraft Godwin, filha do filósofo, escritor e jornalista William Godwin e da pedagoga, filósofa, feminista e escritora Mary Wollstonecraft, foi uma mulher à frente de seu tempo (me perdoem o uso do clichê, mas nesse caso se encaixa como uma luva).  A escritora era antimonarquista, libertária, se opunha à guerra, à escravidão e à divisão de classes sociais no século XIX. Para poder ficar com seu amor, o famoso poeta Percy Bysshe Shelley, fugiram para a França quando Mary tinha 16 anos.

Durante uma estadia em Genebra (Suíça) com Percy Shelley e um grupo de amigos, entre os quais estava o poeta George Byron, nasceu Frankestein. Notas da própria autora contam que aquele foi um período chuvoso, o que obrigou os viajantes a permanecerem dentro de casa, lendo e conversando. Além de contarem velhas histórias de fantasmas alemães, a conversa também acabou girando em torno da possibilidade do ser humano criar vida. Como uma forma de desafio intelectual, foi proposto pelo próprio Byron que escrevessem uma história em que o elemento do sobrenatural estivesse presente. Nascia assim a ideia para o livro que viria a imortalizá-la. Mais tarde, Percy Shelley a incentivaria a continuar o conto, expandindo e transformando-o num romance.

O título original “Frankestein ou Prometeu Moderno” faz referência ao mito de Prometeu, que tentou roubar o fogo dos deuses e foi castigado. Analogamente, o barão Frankestein esperava usurpar a posição de Deus, tentando criar vida, e acabou sendo castigado por todos os infortúnios gerados por sua criação.

Entretanto, é importante ressaltar que a contribuição de Mary Shelley para a literatura foi muito além de ter escrito apenas Frankestein.   Sua vida foi dedicada à literatura. Foi autora de vários contos, dramaturga, ensaísta, biógrafa e escritora de literatura de viagens. Desde pequena, foi incentivada por seu pai a colocar suas ideias no papel e a escrever cartas.  Seu próprio pai a descreveu como “uma mente ativa (…) e singularmente brilhante. Seu desejo de conhecimento é grande, e sua perseverança em tudo o que empreende é quase invencível.” E isso quando ela tinha 15 anos de idade.

Por fim, um dado que alguns podem considerar interessante, outros romântico, outros macabro.

Quando seu marido, Percy Shelley, morreu afogado em um naufrágio, seu corpo foi cremado. Entretanto, antes disso, seu coração foi retirado e entregue à esposa. O órgão foi conservado no escritório de Mary Shelley até sua morte. E quando ela morreu, o coração dele foi sepultado junto com a autora.

 

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