Literatura de não-ficção

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Andressa CostaLiteraturaSem categoria

 

Por, Andressa Costa

Este tipo de narrativa, de não-ficção nada mais é que uma literatura da realidade, é um jornalismo literário embebido de fatos reais. Esse tipo de escrita surgiu nos anos 60 nos Estados Unidos da América, com escritores como Truman Capote, Gay Talease, Tom Wolfe e tantos outros que vieram aprimorando esse tipo de escrita. Para desenvolver esse trabalho é necessário a pesquisa de campo, onde é captado as informações, incluindo pautas e levantamento dos dados necessários para compor os personagens.

Uma prática que exige observação dos acontecimentos, necessidade de buscar espetáculos, ou seja, fatos que merecem ser narrados. Mas uma característica interessante deste tipo de literatura é a liberdade que se mistura com surpresa, pois o escritor escolhe o tema a ser abordado ao mesmo tempo que não tem conhecimento de todos os fatos. No decorrer do trabalho de campo podem surgir mistérios e temáticas muito mais sedutoras do que esperava-se.

Essa linha de escrita pode ter um “contador” de história com quatro focos narrativos ao seu dispor. Pode ser narrador-testemunha ou narrador-protagonista ambos em primeira pessoa, narrador-onisciente ou modo dramático ambos em terceira pessoa. Mas seja qual for o foco escolhido é importante que a narrativa reconstrua a história cena a cena; se possível registre os diálogos completos; demonstre claramente o ponto de vista do personagem e registre suas características mais marcantes como hábitos, vestimentas e etc.

É um universo onde a linguagem verbal é tão importante quanto a não verbal, por isso é preciso um olhar cuidadoso do escritor no seu relato. Toda essa atenção é necessária porque esse personagem-narrador é a pauta, então seus mistérios, seus contrastes e até contradições devem ser retratados sob uma projeção de luz o mais completa possível, capaz de trazer a luz seus atos externos e também seus conteúdos internos, do fundo da sua psique. Tudo isso para ajudar a compreendê-lo como um ser humano inteiro, deixando a narrativa mais clara e atraente, sendo possível para o leitor olhar o mundo através dos óculos do narrador de forma natural.

Outro elemento importante é a descrição física do personagem-narrador assim como dos demais e as formas que estes interagem socialmente, o modo como se comportam. Todos esse elementos ajudam a tecer uma interessante e atraente narrativa. A quem interessar conhecer ou ler uma escrita do gênero indico “Honra a teu pai” de Gay Talese, uma interessante narrativa dos bastidores da Máfia nos Estados Unidos.

2 Replies to “Literatura de não-ficção”

  1. Cassandra disse:

    Olá, ótima descrição do jornalismo não literário. Esse tipo de escrita é de extrema importância para que as histórias não se percam no tempo. Tenho grande apreço também pela história da máfia, “Honra a teu pai” foi uma das bases do “Poderoso Chefão”. Sem mencionar todas as biografias existentes. Boa dica, parabéns!

  2. Carlos disse:

    Legal essa informação, não era do meu conhecimento essa terminologia. Todos nós já lemos um dia jornalismo não-literário ou de não-ficção, mas por muitos ( inclusive por mim até o momento) é apenas um relato dos fatos. Não passava em meu imaginário que o escritor deve imergir na atmosfera a ser retratada. Ao mesmo tempo que é uma escrita descritiva ela é investigativa, pois se intendi bem o escritor precisa ligar os fatos e acontecimentos. Parabés!

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