Eu, você e Leminski

Caro leitor, apresento a você nesta tarde o talentoso, amado(não por todos) e polêmico: Paulo Leminski. Eu, particularmente, gosto muito dele, o seu modo diferenciado de fazer poesia me atrai. Ele não segue regras ou padrões, pelo menos na maioria dos textos, e utiliza muito a combinação: criatividade + ironia.

Pois bem, talvez se pergunte o motivo de eu o ter escolhido, ou talvez não, da mesma forma quero explicar. No mês passado, exatamente no dia 7 agosto, fez 50 anos do Movimento Hippie. Ele nasceu em São Francisco, foi uma manifestação de contracultura, que questionava as instituições, a Guerra do Vietnã, a violência com as minorias, e um de seus maiores símbolos, a proibição das drogas. Agora, o que isso tem a ver com Leminski? Se não tudo, quase tudo. Paulo é considerado um hippie erudito, então, a partir disso, embarquemos na vida e obra desse curitibano peculiar.

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Paulo Leminski Filho, nasceu em Curitiba, Paraná em 24 de agosto de 1944. Foi poeta, filósofo, escritor, tradutor, e professor brasileiro. Em 56 foi para o Mosteiro de São Bento, São Paulo, estudar filosofia, literatura clássica, latim e teologia. Em 63 abandonou-o, e se mudou para Belo Horizonte. Lá, ele encontrou com Décio Pignatari, Haroldo e Augusto de Campos, criadores da Poesia Concreta, na Semana Nacional de Poesia de Vanguarda.

Em 64, publicou seu primeiro poema, “Invenção”. O primeiro romance foi lançado em 76, “Catatau”. Leminski é considerado um dos maiores poetas da segunda metade do século XX, devido a sua originalidade na construção da forma de suas poesias, além dos diversos trocadilhos, muito recorrentes em sua obra.

“Não sei ao certo

se sou um 

menino de dúvidas

ou um homem de fé

certezas o vento leva

só dúvidas

continuam de pé.”

Também em 64 trabalhou como professor de história e redação, e nos anos 70 foi crítico literário. Era fascinado pelo Budismo, e pela cultura japonesa, era faixa preta em caratê. Viveu durante 20 anos com a poetisa, também curitibana, Alice Ruiz. Morreu de cirrose, aos 44 anos, no dia 7 de junho de 1989.

Nos últimos anos sua obra tem sido organizada em coletâneas, como, Toda Poesia, da Companhia das Letras, que contém: Quarenta clics em Curitiba, Caprichos & Relaxos, Distraídos Venceremos, O ex-estranho, entre outros. E, recentemente foi lançado, Vida: Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trótski, também da Companhia das Letras.

Despeço-me de vocês, com aquele convite: Leiam Leminski! É divertido, reflexivo, engraçado, apaixonante, encantador, original, inteligente, sensível…só não continuo pois levaria muito tempo, tamanha a minha paixão por esse paranaense. Enfim, apreciem uma de minhas poesias favoritas:

“quando eu tiver setenta anos

então vai acabar esta adolescência

vou largar da vida louca

e terminar minha livre-docência

vou fazer o que meu pai quer

começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja

aproveitar as oportunidades

de virar um pilar da sociedade

e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência

quando acabar esta adolescência.”

 

Para ir além…

A Poesia Concreta surgiu com o Concretismo, período artístico marcado pela presença de elementos geométricos nas obras. Em 52 teve seu marco inicial com a revista “Noigrandes”, fundada por: Augustus de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos. No entanto, sua consolidação só ocorreu quatro anos depois com a Exposição Nacional de Arte Concreta em São Paulo. Tem como característica:

  1. desprezo pela estética habitual de: começo, meio e fim.
  2. sem versos.
  3. uso de neologismos e palavras estrangeiras.
  4. possibilita diversas interpretações.
  5. explora os aspectos: visuais, sonoros e semânticos das palavras.
  6. decomposição das palavras.
  7. aproveita o espaço em branco para dispor as palavras.

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