Escritor Jardineiro x Escritor Arquiteto: Quem é você?

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Beatriz de CastroEm destaque!

“Existem dois tipos de escritores: os arquitetos e os jardineiros. Os arquitetos começam suas obras tendo cada detalhe planejado, enquanto os jardineiros apenas plantam e aparam as coisas à medida que elas vão crescendo sozinhas. Eu sou um jardineiro.” (George R. R. Martin)

 

Uma vez eu vi essa definição em um grupo de discussão de escritores e leitores e achei que era definição perfeita entre duas formas de categorizar os escritores. De um lado aqueles que prezam pelo planejamento, definindo cada detalhes antes que seja feito, com muitos arquivos e textos extras para saber como a obra vai se realizar e, de outro lado, aqueles que deixam a literatura fluir e acontecer da forma que deve ser, sem se importar com um planejamento prévio. Não digo que nenhum dos dois é melhor ou pior, cada escritor, ou melhor, cada pessoa tem uma forma de ser, escrever e agir, o que não o torna superior ou inferior, apenas diferente e as diferenças são o que fazem o mundo ser maravilhoso. A minha ideia para essa coluna é apenas tratar das características dessas duas formas de escrever e, talvez, ver os pontos positivos e negativos, para que vocês vejam qual é o melhor caminho a seguir.

Para iniciar, tatremos do escritor arquiteto, o mestre em planejamento. Dificilmente um autor que escreve deta forma cometerá furos em seu texto, deixando tudo tão entrelaçado que poderíamos puxar de tudo quanto é lado e a obra continuaria ligada, porém, o escritor precisa ter cuidado para não planejar demais e deixar o mistério e as sutilizas fora de sua obra. Quem muito planeja, pode deixar se perder em técnicas e esquecer a parte artística. Em uma comparação um pouco mais contemporânea, poderíamos dizer que este seria um “escritor de exatas”, sempre com seus cálculos e esquemas, trabalhando sua técnica para atingir a perfeição.

Já o autor jardineiro, seria o considerado “escritor de humanas”, tratando o texto como uma criatura viva, de mente própria que vai crescendo como um organismo, uma obra de arte e, portanto, devemos apenas observar ela crescer, inspirados pelas musas e moldar apenas as pontas para ajudá-la a progredir. Esses textos tendem a ter mais criatividade e inovação, trazendo ideias diferentes e universos distintos, porém correm sérios riscos de se perderem em algum ponto ou contrariam algo já dito. Portanto, o escritor que se sente bem com este modelo, não pode deixar de reler suas obras várias vezes e contar com outros leitores, para o caso de se perder, poder retornar.

Como já dito, não pretendo com este texto dizer que uma forma ou outra é melhor, apenas comentar sobre o modelo dito por Martin e dar, quem sabe, dicas para auxiliar tanto os escritores de um lado quanto de outro. Aos escritores arquitetos, não deixem de prezar os detalhes, a beleza da criatividade e imaginação, fazendo com que seus prédios fiquem cinzas demais e sem arte. Aos jardineiros, cuidado para não se embolarem em suas criações, deixando de podar as suas plantas e elas serem dominadas por ervas daninhas. No caso de se considerar um híbrido, acredito que seja ainda melhor saber equilibrar os dois lados, não deixando nem a técnica e nem arte de lado.

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