Distopias do século XX (Parte 2)

          Admirável Mundo Novo

…ou Terrível Mundo Novo. Há exatos 85 anos, a obra prima de Aldous Huxley estava sendo publicada na Inglaterra. Em uma manchete, a Folha de São Paulo afirma: ” ‘Admirável Mundo Novo’ erra em genética e acerta em cultura (31 de maio de 2014)”. O autor de fato acertou, em seu livro ele nos alerta, para além da repressão, o culto à ciência e a crença no progresso, características marcantes da nossa sociedade. No entanto, em alguns lugares, como Reino Unido, a manipulação de embriões humanos já é possível. Então, será que Huxley errou mesmo?

 

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A história ocorre em torno de 2500 d.c., ou o ano de 600 na Era Fordiana, como dito no livro, que na história, classifica os períodos em Antes de Ford e Depois de Ford. (relembrando: Ford foi o criador do conceito produção em massa). O primeiro personagem apresentado é o Diretor Thomas do Centro de Incubação e Condicionamento de Londres Central. Local onde as pessoas da comunidade são geradas e condicionadas, tanto biologicamente quanto psicologicamente, e encaminhadas as suas castas, estas: Alfa, Beta, Gama, Delta e Ípsilon. Que utilizam, respectivamente as cores, cinza, amora, verde, cáqui e preto. Dessa forma, sua identificação é facilitada.

A mobilidade social não existe, assim como, família e religião. O lema do estado é: “comunidade, identidade e estabilidade”. Todos são programados através da “hipnopedia”(hipnose auditiva), a sentirem-se felizes e necessários. E também, a sensação de adequação à sua vida que fora programada pelo Estado. Quando começam a ficar confusos e a questionar, tomam o “soma”(uma droga que em pequenas quantidades dava a sensação de alegria e em grandes, sonolência).

A sociedade é movida pelo consumo, a partir da hipnopedia eles são induzidos a pensamentos como esse: “Mais vale acabar que consertar”. Atividades como, a prática de esportes, só efetuada a partir da aquisição de inúmeros produtos, dessa forma o consumo é constante.

Bernard Marx , é um dos personagens principais, e ele não aceita muitas coisas que são impostas pelo governo. Uma delas é o slogan “cada um é de todos”, já que ele era apaixonada por Lenina Crowe, e queria algo além de sexo. No entanto, paixão é terminantemente proibida, assim como as relações afetivas e a monogamia. O jovem, difere-se dos demais não apenas por pensar fora da caixa, mas também pela diferença estética dos Alfas, sua casta.

Um dia, a moça decide aceitar o convite do rapaz para visitar uma reserva de selvagens no Novo México. Selvagens são grupos de pessoas que vivem de forma antiquada aos padrões da comunidade. Nessa viagem eles conhecem John, filho desconhecido de Thomas, o Diretor.

Bernard, intrigado com o Selvagem, resolve levá-lo a Londres em seu regresso. John, por sua vez, curioso com o Admirável Mundo Novo, resolve aceitar a proposta. No decorrer do livro, o alfa muda bastante o seu comportamento, tratando o forasteiro como um simples experimento e não como alguém com sentimentos.

Finalmente, resta a John o seguinte dilema: uma vida segura e aparentemente feliz na cidade, onde envelhecimento é retardado e doenças tem cura? Ou, uma vida aleatória, longe da cidade, onde a velhice é apenas uma consequência do tempo? Confrontado com essa dúvida ele diz: ” – Pois bem, eu preferia ser infeliz a ter essa espécie de felicidade falsa e mentirosa que você gozava aqui”.

 

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E, como se o livro não fosse suficiente, Huxley declara: “A ditadura perfeita terá aparências de democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor a sua escravidão.”

Não conheço as outras edições do livro. Indico a 22° edição, publicada em 2014 pela Biblioteca Azul, porque o prefácio é muito interessante, sido escrito pelo próprio autor. Em um trecho ele afirma: “Entretanto, parece-me que vale a pena mencionar pelo menos o defeito mais grave do romance, que é o seguinte: o Selvagem é posto diante de duas alternativas apenas, uma vida de insanidade na Utopia ou a vida de um primitivo numa aldeia de índios, vida essa mais humana em alguns aspectos, mas em outros, pouco meno estranha e normal.”

 

4 thoughts on “Distopias do século XX (Parte 2)

  1. Eu estou desdo ano passado tentando ler esse livro, não consigo passar da página 30. Mas depois de ler esse artigo, vou tentar mais uma vez.

    1. Siiiiim, leia, por favor. Chega a ser espantoso o quanto é atual esse livro. Estou convencida a pensar que Aldous é um viajante do tempo.

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