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Diálogos: dicas e dúvidas

Olá leitores!
Na coluna de hoje venho fazer alguns breves comentários sobre um dos pilares na hora de escrever a maioria dos textos: os diálogos. Muita gente, inclusive eu própria, comete ou já cometeu alguns erros na hora de escrevê-los e, por essa razão, venho aqui hoje conversar sobre isso com vocês. O texto hoje será um pouco mais gramatical que literário, mas espero que igualmente proveitoso.
Antes de mais nada, precisamos entender a função dos diálogos. Para que eles servem? Para agilizar o texto. Vejam bem, um texto que é um enorme bloco de palavras, mesmo que esteja repleto de ação, pode se tornar profundamente cansativo e a inserção dos diálogos serve justamente para tornar esses textos menos parados e confusos. Entretanto, devemos saber ter equilíbrio e dosar a quantidade de diálogos e textos corridos.
Os diálogos revelam muita coisa sobre os nossos personagens e as nossas histórias, temos que ter cuidado com todos os elementos que envolvem essa técnica narrativa e, portanto, dividi o restante do artigo em partes para a melhor compreensão.

1) Travessão e aspas
Essas são as duas únicas formas de se introduzir diálogo: travessão (—) e aspas “”, sendo o primeiro mais comum no Brasil que o segundo e não devendo ser misturados. Muitos escritores usam o travessão (—) para diálogos e as aspas para pensamentos, o que é uma estratégia muito válida. Infelizmente, os teclados não possuem a opção do travessão e muitos, inclusive eu mesma já fiz isso antes de ter conhecimento, usam o hífen (-) como marcação de diálogo, mas isso está incorreto e deve ser substituído antes de enviado para publicação. A forma de usar o travessão e aspas é muito simples como podemos ver a seguir:

— Olá — disse Maria.
“Olá” disse Maria.

O que nos leva a um segundo ponto deste artigo:

2) Pontuação
Não entrarei em detalhes profundos neste aspecto e encorajo a todos a uma pesquisa mais profunda, dizendo apenas o essencial. Quando falamos em diálogos devemos conhecer os verbos dicendi que exprimem a forma como o texto é falado e, portanto, ficam sempre em letra minúscula, com o texto que o precede sem pontuação.

— Estou com medo — murmurou a criança — acho que tem um monstro embaixo da minha cama.

Entretanto, quando há o caso de um inciso, comentário do narrador, este é feito em letra maiúscula é há pontuação.

— Corram agora. — Sorriu com escárnio — Não há onde se esconderem.

Outra coisa importante em relação aos verbos dicendi e a utilização de diferentes exemplos para não cairmos na repetição de “ela disse/ ele disse”. Baixe uma tabela de verbos dicendi (tem várias na procura de imagens do Google) e a consulte caso fique sem ideias.

3) O que é para ser dito ou não.
O diálogo deve ter uma função e não apenas quebrar o bloco de texto, portanto, analise se é o caso de encurtar em uma frase ou se o diálogo se faz necessário. Outra coisa importante é lembrarmos que a fala não é algo estático e formal sempre, devemos utilizar de gírias e regionalismo se for o caso do personagem, tendo em consideração de quem está falando. Em uma fala real, ninguém repete o nome da outra pessoa mil vezes, tenha isso em mente para não cair nessa repetição.
Os incisos, já mencionados, tem a função também de mostrar as emoções dos personagens, junto com os verbos dicendi, para não dar a ideia de que temos dois tomates conversando.

Exemplo:
— Eu não quero te perder.
— Não há outro jeito.
— Mas e tudo que houve entre nós?
— Maria… Me esqueça.

— Eu não quero te perder! — Ela segurava as lágrimas que teimavam em cair.
— Não há outro jeito…
— Mas — gaguejou ela tentando tocá-lo — e tudo que houve entre nós?
— Maria… — suspirou ele se desvencilhando e indo até a porta — me esqueça.

Bem diferente, não é? (O diálogo foi inventado junto com esse artigo, então é bem bobo).

Então, é isso por hoje, espero que seja de alguma utilidade para vocês e, caso queiram que eu traga algum outro tema nas próximas semanas, é só dizer nos comentários. Até terça que vem!

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