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Clube da Luta (Chuck Palahniuk) – Resenha

Resenha – Clube da Luta (Chuck Palahniuk)

por, Danie Ferreira

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Dados do livro:

Título: “Clube da Luta”
Título Original: “Fight Club”
Autor: Chuck Palahniuk
Ano de Publicação: 1996
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2012
Editora: Leya
Número de Páginas: 272

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As regras do Clube da Luta:

01. Você não fala sobre o Clube da Luta
02. Você não fala do Clube da Luta
03. A luta só acaba quando alguém disser “pare” ou perder os sentidos
04. Só duas pessoas em cada luta
05. Uma luta de cada vez
06. Sem camisa, sem sapatos
07. As lutas duram o tempo que for necessário
08. Se esta é sua primeira noite no Clube da Luta, você tem que lutar

É quebrando as duas primeiras regras que inicio essa resenha tão aguardada. Enfatizo que é de tamanha responsabilidade fazer a minha crítica a um livro tão aclamado e aplaudido por tantas pessoas do mundo inteiro.

Clube da Luta é um clássico, um grande grito de protesto contra a sociedade capitalista em que vivemos, os comerciais de televisão, revistas de beleza, carros, movéis, status e dinheiro. Eles não querem mais a arte imposta, os ideais de perfeição e a idéia de consumismo. É um livro que me marcou muito. Deu origem também a um filme sucesso de bilheteria e com grandes atuações que deu vida aos personagens queridos por todos nós, O Narrador, cujo nome não é citado mas há suposições, Tyler Durden e Marla Singer.

O livro traz para seu leitor uma mensagem forte e sensacional fazendo com que nós, leitores, nos auto critiquemos fazendo reflexões sobre as fortes mensagens do livro.

Narra a história de um jovem frustrado que descobre que sua ira não pode ser contida com o consumo desenfreado que a mídia oferece. Ele tem uma vida boa, uma boa casa, emprego, renda, uma vida aparentemente normal. Até começar a ter crises fortes de insônia, depois de nenhum remédio funcionar, ele resolve buscar ajuda e solução em terapias, mas não eram terapias comuns, eram terapias de grupo não convencionais, como de pessoas com câncer em estágio terminal, câncer de prostata, parasitas cerebrais e coisas desse tipo. Mas, tudo muda quando ele conhece uma mulher misteriosa que também frequenta as mesmas terapias. Ele sabe que ela também não tem nenhum desses problemas então não consegue se sentir à vontade na frente dela e a insônia não passa.

Ele acredita ter encontrado uma maneira de viver fora dos limires da sociedade e das regras que para ele não fazia nenhum sentido. Mas, sua mente estava totalmente perturbada e a partir de agora a história começa a ficar bem interessante…

Tudo começa a mudar quando numa viagem conhece Tyler Durden que numa brincadeira entre eles resolve criar o Clube da Luta. E convenhamos, bater em alguém compulsivamente é uma maneira muito melhor de extravassar a raiva do que em terapias em grupo.

A intenção da leitura era de que cada capítulo captasse uma espécie de flash, um acontecimento ou ato diferente como em uma peça de teatro que prendesse o leitor a cada instante fazendo-o perceber o que estava acontecendo no relacionamento de Tyler e Jack? Há muitas controvérsias quanto ao narrador, Muitos acreditam que ele se chama Jack por causa da frase I’am Jack’s mas também se acredita que Jack é apenas um apelido que ele escolheu após ter lido esse nome em algum lugar.

Eles começam a recrutar alguns homens que se reunem nas madrugadas em porões. A filosofia de Tyler era de que só quando se está no fundo do poço é possível ver o real sentido da vida.

O Clube da Luta vai ganhando proporções elevadas e se torna em Projeto Destruição como eles começam a chamar. O narrador começa a questionar a filosofia desse projeto sem entender a idéia de Tyler e começa a buscar respostas questionando o seu verdadeiro eu e fazendo com que os leitores pirem em uma nova viagem.

Umas das frases de impacto do livro dita por Tyler é:

Somos uma geração sem peso na história, cara. Sem propósito ou lugar. Nós não temos uma grande guerra nem uma grande depressão. Nossa grande guerra é a guerra espiritual… nossa grande depressão são as nossas vidas. Todos nós fomos criados vendo televisão para acreditar que um dia seríamos milionários, deuses do cinema e estrelas do rock. Mas nós não somos. Aos poucos vamos tomando consciência disso e estamos muito, muito revoltados”.

O livro suscita tantos questionamentos que fica difícil não balançar nossos conceitos mais firmes. A “sujeira”, o caos gerados pelos diálogos que o livro tenta criar com os leitores, como uma espécie de energia revolucionária, que a todo momento parece ameaçar a normalidade da nossa civilização são características que respiram e rompem a película em direção a nossa face como um soco.

Agora, quero falar sobre o “romance” muito incomum, que no contexto adquire um sentido meio vasto e nos rende com um desfecho lindo. A interpretação que se tem do amor é tão criativa que sua abordagem acontece se encaixando perfeitamente com todos os eventos paralelos.

“Você me conheceu numa fase muito estranha da minha vida.” —O Narrador.

E por fim, a violência em o Clube da Luta não está em suas citações de lutas com socos e chutes, isso tudo é uma espécie de criticar ou atacar a sociedade que quer transformar nossos sonhos em lixo que pode ser comprado de forma barata e falar de empregos que escravizam nossas almas. Uma reflexão com perguntas que fazemos a nós mesmos do tipo, será que sou um escravo que está rendido a pessoas que não ligam a mínima para quem eu sou, sou apenas um número? Qual o verdadeiro caminho? Onde estão as respostas?

 

QUEM É MARLA SINGER?

Ela era um espelho da mentira do nosso narrador mas também um mal necessário na vida dele.

 

CURIOSIDADES 

O autor do livro, Chuck Palahniuk declarou ter gostado muito do filme e que o mesmo é uma boa continuação e complemento para sua história.

Vários Clubes de Luta foram fundados nos EUA após o lançamento do filme em vários estados, mas terminavam com intervenção policial que acabava com eles.

Comments:
  • Danyllo Barbosa
    28 de dezembro de 2016 at 01:48

    O nome verdadeiro do protagonista aparece em Clube da Luta 2 (em quadrinhos). Ele se chama Sebastian.

  • Jane Reis
    30 de janeiro de 2017 at 16:11

    muito bom o seu artigo

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