Bauman, um último adeus

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Zygmunt Bauman, um dos maiores intelectuais do século XX e XXI, crítico ativo da nossa sociedade, foi o criador do conceito de “Modernidade Líquida”. Essa ideia relaciona-se com a atual situação da sociedade mundial, o capitalismo globalizado. Em que as relações e as informações são rápidas, em que não há solidez, tudo escorre pelas nossas mãos. Assemelhando-se, por exemplo, à concepção de mobilismo que Heráclito de Éfeso formulou no período Pré-Socrático.

 

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“Tudo é temporário, a modernidade (…) – tal como os líquidos – caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma.”

 

Em seus livros, Bauman abordou muitos temas relacionados a sociedade e a política, considerado por muitos críticos como pessimista. Também escreveu sobre consumismo, globalização e as mudanças nas relações humanas. E assim ele desenvolveu uma divisão de períodos em nossa história recente: Modernidade Sólida, em que os valores transformavam – se de forma previsível, sendo caracterizada pelo coletivismo, e a identificação e criação de laços numa comunidade, relacionando – se com a sensação de segurança e durabilidade. E, a Modernidade Líquida, o momento atual em que vivemos, no qual as pessoas se sentem inseguranças, com um medo constante da violência e do terrorismo. Aonde, as ideias e as relações pessoais e de trabalho mudam constantemente, de maneira muito rápida e imprevisível, e tendo como especificidade, o individualismo.

O sociólogo nasceu no dia 19 de novembro de 1925, em Poznán, Polônia. Em 1939, fugiu junto com a sua família da invasão nazista em sua cidade, por conta de serem judeus. No mesmo ano alistou – se no exército polonês, na URSS. Em 1940, entrou para o Partido Operário Unificado, partido da esquerda socialista. Em 1945, foi para o Serviço de Inteligência Militar, ficou por três anos.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, retornou a Varsóvia. Casou-se com Janina Bauman, permanecendo com ela até sua morte em 2009. Estudou sociologia na Academia de Política e Ciências Sociais de Varsóvia. Conclui o mestrado em 54, dedicando – se a universidade, como professor assistente de sociologia.

Em março de 1968, devido a um expurgo antissemita, foi obrigado a sair do país ao lado de sua mulher. Vivendo em Israel, ensinou na Universidade de Tel – Aviv. Em 71, recebeu um convite para lecionar sociologia na Universidade de Leeds, Inglaterra, também foi diretor do departamento de sociologia, até aposentar-se em 1990.

Suas principais obras incluem além de Modernidade Líquida (2000), o Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos (2003), O mal-estar da Pós-Modernidade (1997), Vida Para Consumo (2007), e entre outros 40 títulos publicados no Brasil pela Zahar. Sua última publicação pela editora ocorreu em 12 de janeiro, o livro Estranhos À Nossa Porta, trata da crise dos refugiados na Europa.

E assim, cabe a mim, como autora desse artigo, dar a triste notícia: no dia 9 de janeiro deste ano, um dia frio de inverno na Inglaterra, Bauman deu seu último suspiro. Ele morreu aos 91 anos, e a causa da morte não foi divulgada. Sua mais recente visita a Brasil foi em 2015 na Educação 360, no Rio de Janeiro.

No dia seguinte a sua morte, o El País fez um seleção de nove frases memoráveis, gostaria de compartilhar algumas com vocês:

“Tudo é mais fácil na vida virtual, mas perdemos a arte das relações sociais e da amizade.”

“Esquecemos o amor, a amizade, os sentimentos, o trabalho bem feito. O que se consome, o que se compra, são apenas sedativos morais que tranquilizam seus escrúpulos éticos.”

 

PS.: Eu sei, eu sei. Distopias do Século XX ainda não acabou, no entanto, em um momento de ímpeto resolvi falar sobre esse pensador incrível, aliás, um tanto conveniente já que estamos falando da sociedade. Será apenas uma pausa, Distopias do século XX retornará com tudo. Boa leitura!

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